A disputa pelo Senado no Piauí ganhou dimensão nacional. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, entrou no embate político com Ciro Nogueira em um momento em que Júlio César (PSD) aparece entre os nomes mais competitivos pelas duas vagas ao Senado e conta com o apoio do presidente Lula e do governador Rafael Fonteles.
A presença de Kassab no cenário piauiense não é nova. O dirigente nacional já esteve em Teresina no lançamento da pré-candidatura de Júlio César e participou diretamente da construção política do projeto do PSD para o Senado. Agora, o confronto aberto com Ciro reforça que a eleição no Piauí também entrou no radar da direção nacional da legenda.
Os números ajudam a explicar o interesse. Levantamentos recentes mostram Júlio César disputando diretamente uma das duas cadeiras. Na pesquisa AtlasIntel de junho, considerando os votos válidos, Marcelo Castro apareceu com 30,5%, Júlio César com 23,8% e Ciro Nogueira com 19%. Já a Vetor³ divulgada no fim de junho colocou Marcelo com 37,35%, Júlio com 33,1% e Ciro com 32,03%.
Em agosto, uma nova Vetor³ mostrou uma disputa ainda mais apertada: na soma dos dois votos, Marcelo registrou 36,13%, Ciro 32,47% e Júlio 32,03%, configurando empate técnico entre os dois últimos. Em Teresina, pesquisa Amostragem realizada entre 4 e 8 de agosto colocou Júlio César em segundo lugar, com 43,56%, no cenário em que aparecem os apoios de Lula e Rafael Fonteles, contra 30,15% de Ciro.
Kassab também chega ao Piauí comandando uma das maiores estruturas partidárias do país. O PSD reúne 49 deputados federais e 13 senadores e, após as mudanças partidárias deste ano, passou a comandar sete governos estaduais. O partido ampliou sua presença no Congresso e tornou-se uma força importante nas articulações nacionais.
É nesse cenário que a reação de Ciro às declarações de Kassab ganha outra dimensão. Ao atacar o presidente nacional do PSD, Ciro confronta justamente o dirigente de um partido que colocou o Piauí entre suas disputas estratégicas e tem em Júlio César um candidato competitivo ao Senado.
Com Lula e Rafael em seu palanque, uma estrutura partidária nacional robusta e pesquisas que o colocam diretamente na briga pelas duas vagas, Júlio César chega à campanha com um ativo adicional: o comando nacional do PSD decidiu entrar no jogo.