O município de Campo Alegre do Fidalgo, no interior do Piauí, enfrentou uma grave situação na área da educação no último dia 18 de março de 2026, quando alunos da rede pública tiveram as aulas suspensas em razão da falta de transporte escolar. O problema, no entanto, não se resume a um episódio isolado, mas revela uma realidade persistente de precariedade, que vem sendo denunciada por pais, estudantes e moradores da zona rural.
Registros feitos por usuários mostram estradas em condições críticas, com trechos praticamente intransitáveis, marcados por erosões, areia fofa e ausência de manutenção adequada. Em meio a esse cenário, veículos escolares circulam em situação visivelmente precária, com problemas mecânicos que comprometem a segurança e a regularidade do transporte. Há casos em que ônibus apresentam falhas estruturais, incluindo rodas comprometidas, o que inviabiliza a continuidade do serviço e coloca em risco a integridade dos alunos.
A consequência direta desse quadro é o prejuízo no acesso à educação. Estudantes enfrentam atrasos frequentes, longos períodos de espera e, em situações mais graves, ficam completamente impedidos de chegar às escolas. Foi o que ocorreu no dia 18 de março, quando a paralisação do transporte levou à suspensão das aulas, evidenciando o colapso do serviço em determinadas localidades.
O cenário chama ainda mais atenção quando confrontado com os dados oficiais. Conforme publicação no Diário Oficial dos Municípios, a Prefeitura de Campo Alegre do Fidalgo abriu licitação na modalidade pregão eletrônico nº 006/2026, com valor estimado em R$ 1.565.175,00, destinada à contratação de empresa para prestação de serviços de transporte escolar .
Além dos problemas no transporte, a situação estrutural das escolas também preocupa. Outro documento oficial aponta a contratação, por meio de dispensa de licitação, de empresa responsável pela restauração e reforma de carteiras escolares, no valor de R$ 63.900,00 . Apesar da formalização do contrato, imagens recentes mostram que diversas unidades ainda apresentam carteiras quebradas, danificadas e em condições inadequadas de uso, o que compromete o ambiente de aprendizagem e a dignidade dos estudantes.
A coexistência de contratos firmados e serviços que não se refletem na prática evidencia possíveis falhas no planejamento e na execução das políticas públicas educacionais do município. A falta de manutenção das estradas, aliada à precariedade da frota escolar, agrava ainda mais a situação, criando um ciclo de dificuldades que impacta diretamente o direito básico à educação.
Embora haja divulgação institucional de melhorias na infraestrutura viária, os registros feitos in loco por moradores demonstram uma realidade divergente, marcada pela ausência de intervenções efetivas. A situação reforça a necessidade de maior fiscalização e transparência na aplicação dos recursos públicos, especialmente em áreas sensíveis como a educação.
Fonte: Folha Expressa