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Com tecnologia, soja e milho se adaptam ao clima e solo do Piauí e safras batem recordes

em 07 de abril de 2021

O Piauí foi o estado mais pobre do Brasil durante muitas décadas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas, nos últimos 30 anos, o cenário econômico vem se transformando por lá, e um dos grandes responsáveis por isso é a evolução e adaptação da agricultura no Cerrado brasileiro, principalmente com plantio de soja e milho.

Uma prova disso é Baixa Grande do Ribeiro, a 600 km de Teresina, que é o único representante do Piauí entre os 50 municípios com o maior valor de produção agrícola do Brasil. O Estado integra o chamado Matopiba, sigla que abrange ainda as regiões agrícolas de Maranhão, Tocatins e Bahia.

Graças ao agronegócio, o território no sul piauiense atraiu milhares de trabalhadores de várias regiões e viu sua população crescer em nada menos do que 50,3% em vinte anos, saltando de 7.779 para 11.671 habitantes, entre 2000 e 2020, respectivamente.

Em 2021 a safra de soja será histórica no estado. O Grupo Risa foi o primeiro produtor a iniciar oficialmente a colheita do grão no Piauí em sua maior fazenda, com 22 mil hectares, que fica justamente em Baixa Grade do Ribeiro. Além dela, que se chama Ribeirão, há outras
propriedades rurais do grupo que juntas somam quase 45 mil hectares de plantações, com a maior parte no Piauí e extensões menores no Maranhão.

A expectativa é que a colheita deste ano resulte em mais de 160 mil toneladas de soja em toda área do grupo, o que significa um grande avanço em relação à safra do ano passado. José Antônio Gorgen, o Zezão, diretor presidente do Grupo Risa, não tem os números exatos da safra de 2020, mas é cirúrgico ao explicar o motivo de tal crescimento: “em relação aos anos anteriores, 2021 está com o solo muito mais fértil e ocupa absolutamente toda área destinada ao plantio”.

Mas nem sempre foi assim. Falar do Piauí como uma referência na cultura de grãos era algo inimaginável há 30 anos por causa do clima seco da região do Cerrado. Se não chover, não tem colheita, então a agropecuária foi se adaptando para sobreviver no Nordeste.

“Aqui é um choque de realidade, porque o Brasil só olha para o agronegócio de Goiás, Mato Grosso, Paraná e dos outros estados das regiões Centro-Sul do país. A maioria não tem ideia do que o Piauí já representa neste universo. Aqui não é exemplo de tecnologia e desenvolvimento, mas as fazendas agrícolas trazem isso para o estado”, exaltou Zezão.

E foi justamente através da tecnologia que o Cerrado se desenvolveu no agronegócio. Isso vale para toda a região do Matopiba, que hoje é destaque nacional na produção de grãos e já representa 12% do total de produção nacional de soja, com mais de 15 milhões de toneladas por ano, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Produção (Foto: André Schaun/Ed. Globo)
DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA NO MATOPIBA GEROU PROCESSO MIGRATÓRIO DENTRO DO NORDESTE AGORA COM FOCO NO PIAUÍ (FOTO: ANDRÉ SCHAUN/ED. GLOBO)

O Matopiba é uma extensão geográfica de aproximadamente 73 milhões de hectares, que engloba os polos agrícolas do sul do Maranhão, leste do Tocantins, sul do Piauí e oeste da Bahia. Ao todo, são 337 municípios, sendo 135 do Maranhão, 139 no Tocantins, 33 no Piauí e 30 na Bahia.

A irregularidade nas chuvas e a seca da região fizeram os produtores investir durante anos em tecnologia para captar água dos rios e armazenar no solo. Além disso, houve melhoria do terreno com uso de fertilizantes e o plantio da braquiária, uma espécie de capim que se adaptou ao Cerrado e é capaz de melhorar as condições do solo e ajudar no desenvolvimento de algumas culturas, como a soja e o milho.

“Luís Eduardo é a capital do agronegócio baiano, mas muitos amigos começaram a vir para cá, uns sozinhos e outros com a família, disseram que aqui estava crescendo e com muitas oportunidades. Quando saí da Bahia, fiquei um ano no Maranhão e depois vim aqui para Baixa Grande do Ribeiro. Os meus irmãos ainda estão na Bahia, mas já falei que essas terras estão em expansão”, conta Diego. O operador explica que o ciclo completo da soja, entre plantio e colheita, varia de acordo com a cultura, mas normalmente fica em torno de 105 a 120 dias, e acontece entre os meses de novembro e fevereiro.

Conforme a soja é colhida, outras máquinas passam limpando o terreno, e em seguida, as plantadeiras vêm para jogar os grãos de milho e garantir a safrinha, cuja colheita acontece em meados de julho. Os meses de agosto, setembro e outubro são para adubação e fertilização do solo.

Osmarino, de 41 anos, é natural de Baixa Grande do Ribeiro e testemunhou o crescimento do local. “Nos últimos anos, a agricultura tem trazido muita gente para cá e todo mundo tem oportunidade para trabalhar, pois a maioria dos fazendeiros disponibilizam alojamentos para quem vem de fora. Eu, meus irmãos e meus primos trabalhamos todos por aqui e nunca faltou serviço”, conta.

Um estudo feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), prevê que o Matopiba cresça 15% nos próximos dez anos em área plantada, alcançando 8,9 milhões de hectares. Isso resultará em uma produção anual de 33 milhões de toneladas de grãos, entre soja e milho. Atualmente, o Matopiba tem 8 milhões e hectares de áreas plantadas e produz 25 milhões de toneladas de grãos ao ano.

Vale lembrar que a área de 73 milhões de hectares do Matopiba também leva em consideração unidades de conservação ambiental, terras indígenas, assentamentos de reforma agrária e áreas quilombolas.

O desenvolvimento da agricultura na região do Matopiba gerou um processo migratório dentro do Nordeste, e a bola da vez é o Piauí. O operador de colheitadeira Pedro Nonato, de 33 anos, é do município de Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia, e está no Piauí há menos de um ano.

O maior destaque de toda essa projeção foi exatamente Baixa Grande do Ribeiro. Em uma década, a área plantada do município deve passar de 187 mil hectares para 263 mil hectares, crescimento de 40%, enquanto a produção saltará de 652 mil toneladas para 899 mil toneladas, uma evolução de 38%.

O crescimento do estado que veio pela evolução da agricultura no Cerrado, deixa um recado para o resto do Brasil: o Piauí está virando uma potência no mapa do agronegócio.


Fonte: Globo Rural

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