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Brasil tem 7 de setembro marcado por tensão política com atos a favor e contra Bolsonaro

em 07 de setembro de 2021

Principais atos devem ocorrer em São Paulo e Brasília, ambas cidades em que Bolsonaro vai discursar Foto: MARCOS CORRÊA/PR

Acossado por investigações no Judiciário, na CPI da Covid e em queda nas pesquisas de intenção de voto para 2022, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentará demonstrar apoio popular nesta terça-feira, 7 de setembro, feriado da Independência, ao convocar atos políticos em apoio ao governo em todo o País. As principais manifestações são esperadas na Avenida Paulista, em São Paulo, e na Esplanada dos Ministérios, em Brasília; já que o próprio presidente prometeu discursar para os apoiadores nos dois locais. Através do tradicional Grito dos Excluídos, que ocorre todos os anos, grupos de esquerda também irão às ruas contra o governo federal. Três manifestações ocorrerão no Recife.

O tom bélico das declarações de Bolsonaro e de seus aliados na convocação para os atos desta terça-feira (7) causou preocupação, inclusive nas cúpulas do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), com a possibilidade de atos violentos. Nas últimas semanas, o presidente chegou a defender que seus apoiadores comprassem fuzis e afirmou que não se vence nada com flores, só com armas.

Outro foco de preocupação é a potencial adesão de policiais, principalmente os militares, às manifestações em defesa do presidente. Pelas normas das corporações, os militares não podem tomar posição em atos políticos por serem o braço armado do Estado. Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) afastou um comandante militar que convocou subordinados para as passeatas.

A Suprema Corte deve ser um dos alvos dos atos de hoje. Na sexta (3), Bolsonaro disse que as manifestações eram um ultimato a um dos ministros do STF. Trata-se de Alexandre de Moraes, que irritou o presidente ao mandar prender alguns de seus aliados, como o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, enquadrado por atos antidemocráticos depois de propôs o fechamento do Supremo e a cassação de todos os seus ministros. Bolsonaro chegou a apresentar um pedido de impeachment contra Moraes que foi rejeitado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Nesta segunda-feira (6), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, afirmou pela redes sociais que os protestos convocados para o Dia da Independência buscam impor um freio a um dos juízes do STF. Moraes é relator do inquérito das fake news. “Sete de setembro, o Dia da Independência do Brasil, não se busca apoio para enfrentar a Suprema Corte Federal, mas sim um freio em um de seus juízes que já prendeu jornalistas, manifestantes, presidente de partido político e deputado por supostos crimes sem previsão em lei”, destacou Eduardo no Twitter.

“Essas investigações da Suprema Corte foram abertas sem aprovação da PGR e o juiz Alexandre de Moraes, do STF, se diz vítima, acusador e juiz dos supostos crimes, algo que só ocorre em ditaduras”, reforçou ainda o filho do presidente. Em ataques anteriores de Bolsonaro a Moraes e ao ministro Luis Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o presidente do STF, Luiz Fux, já havia rompido diálogo com o Executivo e dito que os ataques a qualquer um dos ministros representa um ataque a toda a Suprema Corte.

Na véspera de manifestações, Bolsonaro, fez um sobrevoo pela Esplanada dos Ministérios. O passeio de helicóptero também seguiu até o Parque Leão, no Recanto das Emas, região administrativa do Distrito Federal a cerca de 30 km do centro da capital. Lá, apoiadores do presidente se concentravam desde ontem para os atos na capital federal. Alguns empunhavam cartazes com pedidos de fechamento do STF e do Congresso Nacional.

A duração do trajeto foi de aproximadamente uma hora. Procurada, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência não informou o itinerário e nem o motivo do trajeto. Antes do passeio helicóptero, Bolsonaro também dedicou alguns minutos de sua manhã para tirar fotos com apoiadores enquanto posava dentro do Rolls-Royce da Presidência. O carro não chegou a dar partida, mas o presidente chamou apoiadores que estavam na entrada do Palácio da Alvorada para posarem ao seu lado.

Ao longo da última semana, o primeiro escalão do governo procurou se desvencilhar das manifestações de 7 de Setembro. Nos bastidores, ministros demonstraram desacordo com o acirramento institucional e constrangimento com a moldura autoritária dos protestos e a convocação feita por Bolsonaro para aderirem aos atos. Os titulares de carreira política têm pregado o “distensionamento”. Eles foram orientados por assessores, entretanto, a não confrontar as visões do chefe do Executivo em público e abafar o mal-estar.

Invasão da Esplanada

Nesta segunda-feira (6) à noite, um grupo de apoiadores do presidente conseguiu furar o bloqueio de segurança montado pelo governo do Distrito Federal na Esplanada dos Ministério se tiveram acesso à região com carros e caminhões ao local onde ocorrerão as manifestações de hoje. A circulação no local estava restrita desde a madrugada de ontem como medida preventiva. Apenas a passagem de pedestres estava permitida.

Com faixas e bandeiras a favor do governo, o grupo se dirigiu para áreas próximas aos prédios do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, dois dos principais alvos dos manifestantes.

Pelo Twitter, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, comemorou a entrada dos apoiadores na Esplanada. “Lindo ver Brasília ser tomada por pessoas de bem. Pessoas ordeiras, que só querem viver num país mais justo, mais livre e mais democrático. Tá bonito de ver!!! Viva o 07 de setembro!!!”, escreveu, ao publicar um vídeo em que bolsonaristas comemoram a passagem de caminhões.

Questionada sobre a entrada do grupo na Esplanada apesar do bloqueio, a PMDF informou que não havia qualquer autorização excepcional para o grupo, mas não soube informar quem permitiu a entrada dos veículos. Segundo a corporação, a situação no local é “tranquila”. A Secretaria de Segurança Pública não se manifestou.


Fonte: Estadão Conteúdo

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