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Diretor técnico do Hospital de Floriano nega “milagre” anunciado por Damares Alves e afirma que: “Isso não tem dado resultados”

em 17 de maio de 2020

O “milagre da cloroquina” no Piauí mencionado pela ministra Damares Alves não existe. Em alguns casos, o medicamento é usado no protocolo médico que está dando bons resultados no Hospital Regional Tibério Nunes, de Floriano, a cerca de 250 quilômetros da capital do estado, Teresina.

Mas a droga não tem mostrado eficácia, diz o médico Justino Moreira, diretor técnico do hospital e responsável pela aplicação do protocolo de atendimento a pacientes. Apesar disso, ele tem utilizado a droga. “Se [o paciente] não tiver usado [cloroquina] ainda, a gente usa. Se tiver, a gente para.”

A movimentação em torno do hospital começou após circular a informação de que a cloroquina teria sido a responsável por esvaziar a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital nesta semana.

O sucesso foi tanto que a ministra da Família, Mulher e Diretos Humanos, foi na quinta (14) a Floriano conversar com as autoridades locais. Ela postou um vídeo —ainda no avião— classificando a estratégia usada no interior do Piauí como milagrosa.

“A gente veio ver o milagre do uso da cloroquina associado a outros medicamentos. E as pessoas estão sendo salvas aqui em Floriano. Extraordinário! Estou levando esse protocolo para o Brasil inteiro”, disse, citando que foi ao local com uma equipe do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

“Mal interpretado”

Moreira diz que uma fala sua sobre o esvaziamento da UTI do hospital não foi em defesa do medicamento. “Acho que fui mal interpretado. Eu não disse que a cloroquina, a hidroxicloroquina servisse. A gente até usa, em nível de atenção básica, numa fase precoce aqui no município. Com 48 horas de sintomas, o município usa cloroquina, azitromicina. Porém, isso não tem dado resultados, não se enxergam ainda resultados“, diz.

O médico ainda explica que o resultado positivo tem surgido no tratamento na fase dois, que é a fase inflamatória. “Aqui, o protocolo clínico até colocava cloroquina na fase dois, mas ela não teve nenhum efeito benéfico. Então se antecipou para fazer uso dela no início de sintomas na esperança realmente que ela ajudasse a pessoa a modular uma resposta inflamatória“, explica.

Segundo o médico, hoje apenas alguns pacientes que chegam com casos mais avançados é que fazem uso conjunto dos corticoides com a cloroquina, mas que não há um efeito positivo.

O que realmente a gente tem visto ter feito é o corticoide injetável; isso quando o paciente não evolui com melhora na fase um. O certo era fazer o corticóide na fase dois, e a cloroquina fazer de um até sete dias.

Na fase dois, o paciente costuma apresenta falta de ar, pulmão inflamado, diz o médico. O tratamento dura de três a cinco dias e pode ser feito com o paciente indo ao hospital apenas para tomar a medicação.

Segundo ele, pelo menos 15 casos foram tratados com o protocolo de anti-inflamatórios, e nenhum precisou de UTI.

A gente pegou paciente com 75% de comprometimento, já, digamos, na porta da UTI. A partir do momento que a gente aplicou esse protocolo, eles passaram a não precisar mais de oxigênio, não precisar de UTI, e zerou morte. A resposta clínica foi muito rápida“, diz.

Protocolo espanhol

Justino explica que recebeu o protocolo da médica florianense Marina Bucar, que atuou na pandemia na Espanha. “Eles acertaram esse protocolo quase no final da pandemia deles, e reduziram a mortalidade de de 20% para em torno de 1% a 2%”, relata.

Como ela tem familiares aqui, ela sugeriu que fizemos essa experiência aqui para replicar o protocolo para executar com os doentes“, complementa.

A médica, que atua no Hospital Universitário HM Puerta Del Sur, em Madri, não quis conversar com a reportagem.

Fonte: Uol

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