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Antes de morrer, mulher que foi incendiada relatou detalhes do crime em áudio

em 14 de julho de 2018

A família de Carla Pereira de Abreu, a mulher que morreu após ser trancada dentro de um quarto que foi incendiado, divulgou um áudio em que a vítima relata o momento em que as chamas começaram. A jovem aparece em um vídeo, também divulgado pelos familiares, sendo atendida pelo Corpo de Bombeiros através da janela do quarto. Carla e o marido, Luís Pereira Gonzaga, morreram dias depois no HUT. O irmão de Luís, José Fernando, é suspeito de ter iniciado o incêndio e está internado do Hospital Areolino de Abreu.

O áudio foi gravado quando Carla estava internada no Hospital de Urgência de Teresina e lutava para se recuperar dos ferimentos. “Eles tiveram uma breve discussão. Quando foi por volta das 3 e meia da manhã, ele começou a derramar querosene, ou foi álcool, por baixo da porta do nosso quarto, trancou a gente por fora e jogou palitos de fósforo, e começou a pegar fogo”, relata Carla Pereira no áudio.

Trancada no quarto, a jovem tentou pedir socorro através de uma janela que dá para a rua, mas é bloqueada por uma grade de metal. No áudio, Carla relata que o marido, Luís Pereira Gonzaga, a protegeu durante o incêndio, mas desmaiou quando os bombeiros conseguiram retirar os dois de dentro do quarto. Luís Pereira teve 80% do corpo queimado, e morreu três dias depois.

Vídeo mostra desespero de casal trancado em quarto incendiado em Teresina

Vídeo mostra desespero de casal trancado em quarto incendiado em Teresina

Em um vídeo também divulgado pela família de Carla Pereira, é possível ver a jovem na janela do quarto enquanto bombeiros e populares tentam abrir o portão do quarto, que teria sido trancado por fora com um cadeado.

No vídeo, Carla entrega as chaves para que um bombeiro abrisse o portão do quarto e a pedir que os policiais militares prendessem o responsável pelo incêndio. “O rapaz que prendeu a gente está lá dentro. Por favor, entra para prender ele”, diz Carla no vídeo.

Medo

Carla Pereira foi sepultada na tarde de quinta-feira (12), em Teresina. Rita de Cássia, mãe de Carla, disse que a filha relatava ter medo de José Fernando, o homem apontado com o autor do incêndio, porque ele já havia tentado contra a vida do esposo. “O marido dela botou aquela porta por medo do irmão fazer alguma coisa com eles”, disse Rita de Cássia. José Fernando é paciente de esquizofrenia paranoide e era considerado estável.

Portão de ferro trancado dificultou o resgate de um casal do incêndio no bairro Piçarra. (Foto: Divulgação/PM)

Portão de ferro trancado dificultou o resgate de um casal do incêndio no bairro Piçarra. (Foto: Divulgação/PM)

“Quando estava hospitalizada ela estava tendo muitos pesadelos com ele. Ela tinha esperança de melhorar, mas falou para mim: ‘Como vai ser minha vida agora, mãe? Tenho medo de ele ficar me perseguindo’”, disse.

A mãe da vítima disse ainda que pretende organizar protestos para exigir justiça pela morte da filha. “Ainda estou muito abalada. Vou conversar com minha advogada antes, mas enquanto eu tiver vida vou fazer manifestação”.

De acordo com o delegado Francisco Costa, o Barêtta, a Polícia Civil aguarda o resultado de exames periciais e psiquiátricos para concluir o inquérito sobre o incêndio que matou Luiz Gonzaga e a companheira Carla Pereira de Abreu, de 25 anos.

“Será questionado se no momento do crime ele tinha entendimento do ato criminoso completo ou incompleto. Ele vai ser indiciado independentemente disso. A nossa parte é criminal, se o fato é um crime, a gente investiga. A justiça quem decide a culpabilidade”, citou.

Mãe da jovem pediu por justiça durante velório da filha (Foto: Roberto Araujo/G1 PI)

Mãe da jovem pediu por justiça durante velório da filha (Foto: Roberto Araujo/G1 PI)

Queimaduras de 1º e 2º graus

Carla Pereira de Abreu morreu nesta quinta-feira depois de 13 dias internada no Hospital de Urgência de Teresina (HUT). Ela deu entrada na unidade consciente e orientada, com queimaduras de 1º e 2º grau no tórax, pernas e braços. De acordo com o HUT, seu estado de saúde apesar de grave era estável, mas devido à gravidade dos ferimentos, espalhados por metade do seu corpo, ela não resistiu e veio a óbito.

O Hospital de Urgências de Teresina informou que, por conta do incêndio ter sido em ambiente fechado, a paciente teve queimaduras das vias aéreas, ocasionando o comprometimento da sua capacidade respiratória evoluindo assim com quadro de insuficiência respiratória. Carla recebeu toda a assistência necessária, porém por conta da extensão e profundidade das queimaduras e da complicação respiratória seu quadro se agravou e evoluiu para o óbito.

G1/Piauí

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