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Juíza de Itainópolis conta: “As pessoas se assustam vendo uma mulher negra juíza”

em 31 de dezembro de 2019

“Perdi as vezes de quando entravam na sala, nem ao menos davam bom dia, só diziam que queriam falar com o juiz. Às vezes eu era ríspida, outras, virava a cadeira e dizia: ‘bom dia, eu sou a juíza’”. Quem conta essa história é Mariana Marinho Machado. Segundo ela, chegar a um cargo de tanta autoridade sendo mulher, negra e jovem parece que “confunde” as pessoas, mas na verdade, escancara um preconceito que tanta gente teima em dizer que não existe.

Aos 35 anos, Mariana é responsável pela comarca de Itainópolis, que atende também os municípios de Vera Mendes e Isaías Coelho. Natural da Bahia, Mariana já exerceu a magistratura no Pará e está no Piauí há sete anos. Atualmente, tem 2 mil processos distribuídos e já finalizou, somente neste ano, 980 processos.

Foto: Arquivo Pessoal da juíza / enviada ao Cidadeverde.com

“Hoje as pessoas já me conhecem na comarca, já estou aqui há dois anos, então essas situações são mais raras”, pondera. Mas a discriminação por seu biotipo físico sempre aconteceu. Ela conta que desde pequena ouvia comentários indesejáveis na escola, porém, foi depois que passou no concurso para magistratura que percebeu o preconceito mais presente.

“Eu sempre passei por situações como alguém falar do meu cabelo, por exemplo, na escola. Era bullying, mas não tinha esse nome. Mas eu senti mais o preconceito foi quando eu entrei na magistratura, porque é um lugar de autoridade. Várias vezes, quando me viam trabalhando pensavam que eu era assessora. Quando fui professora também senti os olhares. Na primeira vez que entrei numa sala de aula, as pessoas me olharam diferente. É tão institucional que as pessoas se assustam vendo uma mulher, negra, nova, juíza”, explica.

Mariana passou no concurso aos 27 anos, sem cotas. Mas defende o sistema de cotas para oportunizar a entrada de negros no serviço público. “Meus pais são negros. Sempre tivemos muito orgulho da nossa raça. Eu e meus irmãos estudamos em colégios bons. Quando eu fiz concurso não tinha cotas, mas hoje vejo que é necessário. Os negros são maioria no Brasil, mas são minoria em cargos públicos. Na magistratura somos apenas 1,6% no Brasil”, ressalta.

Foto: Arquivo Pessoal da juíza / enviada ao Cidadeverde.com

Para a juíza, o maior problema no combate ao preconceito é não aceitar que ele existe. “Quando você entra numa loja, as pessoas não vão para você, as vendedoras de lojas chiques não são negras. É assim que acontece”, resume.

No dia-a-dia, Mariana opta por uma vida mais resguardada, evita muita exposição, mas não abre mão de reagir à situações de discriminação e preconceito.

“Em casos de racismo e injúria racial, com certeza eu dou voz de prisão, mas nunca precisei chegar a isso. Uma vez, uma pessoa que trabalha comigo foi xingada e eu acredito que a pessoa queria atingir a mim, mas falei que isso geraria processo e fui atrás. Já julguei vários casos de racismo e injúria racial, vários”, destaca.

Foto: Arquivo Pessoal da juíza / enviada ao Cidadeverde.com

Especificamente com ela, a juíza lembra de uma vez que um advogado questionou sua capacidade de julgamento. “Um advogado começou a se exaltar e disse: ‘não sei se a senhora teria capacidade para julgar’. Ele queria buscar uma suspeição minha, mas eu não sou de perder a cabeça, até para ninguém dizer que não tenho imparcialidade. Só disse: ‘Doutor, o senhor não quer retificar o que disse?’. Um amigo dele deu um toque e ele se acalmou, voltou atrás”, conta.

Por casos como esses, Mariana sempre atende as pessoas na presença de alguém, nunca sozinha. “Nós, magistrados, sempre estamos no olho do furacão. Se eu faço qualquer coisa, até fora de casa, não é a Mariana, é a juíza. Então, me preservar é uma questão de segurança. Aqui no Piauí, além do racismo há também muito machismo e isso é refletido nos feminicídios. Aqui na cidade, chega um homem juiz, vai para academia e é normal. Chega uma magistrada, vai para academia é porque quer se mostrar”, compara.

“Às vezes ouço: ‘a senhora é tão nova, vem sozinha para o Piauí, como seu marido deixa?’ Como é que pode? Meu marido tem que deixar eu vir trabalhar? Isso não existe”, indigna-se.

Apesar de todos os desafios enfrentados, Mariana Marinho não tem do que se queixar da vida que leva hoje. “Aqui em Itainópolis as pessoas já se acostumaram comigo e me tratam muito bem. Eu fico lisonjeada com o reconhecimento, o respeito e o carinho. Fiquei 12 dias afastada cuidando do meu pai e quando cheguei ganhei um bilhetinho: ‘Que bom que a senhora voltou’. As pessoas me perguntam como eu aguento ficar no interior. É por todo carinho que recebo. Só peço muita saúde para eu conseguir fazer meu trabalho. Quando vou numa escola que as crianças me vêem, elas se sentem representadas, isso é gratificante. Elas sabem que elas também podem chegar lá”, declara.

Fonte: Cidade Verde

28 Comentários

  1. Nanci disse:

    Qualquer mulher jovem e bonita como ela causa estranheza neste mundo machista..mais ainda uma negra. Mas venceu por competência..isto é importante.

  2. Aquiles disse:

    Parabéns Dra. Também sou exemplo pra muitos, sou filho de pessoas da roça mas tenho orgulho dos meus pais

  3. Leodene leonece dá silva disse:

    Vc é linda meu bem não de ouvido a comentários mundo tá cheio de pessoas invejosas

  4. Marcos Ataide disse:

    Que Deus abençoe sempre você e sua família….

    Aplicar a justiça, “com justiça” é um trabalho nobre e divino….

    Jamais deixe a corrupção bater a sua porta.

  5. Francisco de Assis Moura disse:

    Parabéns pra Itainópolis, por ter está Excelente Profissional. Que Deus a proteja.

  6. Tersa Santos disse:

    Parabens Mariana por sua postura diante de tantos preconceitos.

  7. Idervaldo Barbosa Lacerda disse:

    Deus abençoe, continua sendo está pessoa humilde.

  8. Edilson Gomes Pereira disse:

    RACISMO: É lamentável…

  9. Tusnelda Maria Araújo dos Santos disse:

    Parabéns por representar tão bem uma mulher inteligente e bem sucedida, negra e nascida no Brasil. Pessoas como você, só nos deixa cada vez mais envaidecida.

  10. Carlos Rubens disse:

    Parabéns Exa Sra Juíza Mariana.
    Continuados Saúde e Sucesso a Senhora e Família; que o Astral Superior continue a permear a tua trajetória e dos seus!
    Fraterno e respeitoso abraço!

  11. José disse:

    Frank Aguiar saiu de Itainópolis e fez sucesso. A juíza sai de outra região
    vai para Itainópolis e faz justiça com determinação e elegância. Além de simpática e bonita a competência destrói preconceitos e machismos.

    Parabéns

  12. Nilta sols disse:

    Linda parabéns.

  13. Renan Costa disse:

    Vc é muito linda

  14. CLEMENTINA disse:

    Seja a casa dia mais vem sucedida em sua linda carreira! Precisamos muito de você onde está¡!!!!

  15. Regina M. A. Machado disse:

    Formidavel essa juiza! A inteligência das situaçoes, a calma nas reaçoes… sem falar na competência. Parabéns.

  16. Helder ferreira franco disse:

    Parabéns, muito orgulho de ser brasileiro! Deus a abençoe.

  17. Lucinaldo Cunha disse:

    Infelizmente, muitos ainda têm a mente deturpada, acreditam que inteligência, conhecimento, habilidade e crescimento profissional são características de grupos específicos, como: brancos, descendentes de ricos ou de profissionais de determinadas áreas. Infelizmente esses tipos de pessoas têm muito o que aprender e moldar a maneira de pensar, pirem: preconceito, racismo… sempre teremos.

  18. Izabel dos Santos Teixeira disse:

    Eu não tenho nem palavras rsrsrs Essa mulher é simplesmente magnífica, uma verdadeira guerreira. Eu me sinto tão orgulhosa quando vejo uma mulher exercendo uma profissão que anos atrás só homem podiam exercer 👏🏿👏🏿👏🏿👏🏿👏🏿 parabéns Dra Mariana!

  19. Denise Maia disse:

    Nossa que orgulho e motivação para nós negros! Nossa Lindaaa! Poderosa!

  20. Josevania Rodrigues da silveira disse:

    Fala mais da Juíza, adorei a matéria

  21. Vera Lucia Pereira Rocha disse:

    Bela história de auto- estima. Nos reconhecer nela nos faz bem diante da hipocrisia existente frente ao racismo. Parabéns meretrissims.

  22. Waldemiro Evangelista de Santana disse:

    Sensacional, a capacidade e inteligencia do ser humano não está na cor da sua epiderme, é por essas coisas e muitas outras que eu sempre digo que o rracismo mais sinico do mundo é aqui no Brasil pq existe ffortemente e os governantes teimam em dizer que não existe

  23. Marcello pereira da silva nunes disse:

    É um grande percurso até chegar a magistratura.Aqui no Sul do país esse cargo e função tem nomes listados,não é para todos que queiram,apenas para os escolhidos pelo sistema.O racismo discriminação velado permanece.MN

  24. Evandro Aparecido Garcia disse:

    Deixo aqui meus sinceros parabéns a essa guerreira que venceu na vida por seus méritos e ao que tudo indica ela não perdeu aquilo que é de mais importante em qualquer ser humano que é a sensibilidade humana e oque ainda mais importante a sua humildade portanto mais uma vez meus sinceros Parabéns…

  25. Ângelo de Sousa disse:

    A cor não está na pele, mas sim no pensamento das pessoas.

  26. Simone Esterlina disse:

    Parabéns!
    Sou mulher e negra, sei muito bem que passou.
    Mas vamos enfrente contra esse racismo.
    Hoje estou como coordenadora do MNU Movimento Negro Unificado.

  27. Paulino de Oliveira disse:

    Esqueça o fator cor de pele humana, nós humanos temos alma, Espírito, caráter, amor, temos Deus, só isso, mas se quiser falar a respeito exclusivo dessa Juíza, vamos dizer, com o máximo respeito pela Justiça e pela Juíza, que ela é competente no sentido de capacidade, imparcial, inteligente, e muito linda.

  28. Carlos DICKMANN disse:

    Tudo se conquista, mas é com esforço e dedicação, Independente de raça e cor, existem inúmeros bons exemplos pelo Brasil e GLOBO … Tudo que é dado facilitado não se dá devido valor, mas ao conquistado sim … PARABÉNS … Mas que mulata bonita, existem muitas neste cargo pelo Brasil a fora … Aliás o Branco e que e a minoria no Brasil, quase todos nós Brasileiros temos alguma mistura … SOMOS TODOS Brasileiros

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